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Sobre as drogas: perguntas frequentes
As drogas
O que são drogas?
Droga é toda substância química utilizada para produzir um efeito biológico por meio da sua ação nos diferentes órgãos de um indivíduo, seja esse efeito benéfico ou nocivo. Drogas psicoativas são aquelas que se ligam a receptores no cérebro do indivíduo, produzindo um efeito neuroquímico e podendo alterar funções mentais.
Os efeitos de uma droga são iguais para todas as pessoas?
Não necessariamente. Cada substância psicoativa tem efeitos particulares que estão relacionados aos locais em que essa substância se liga no cérebro da pessoa. A cocaína e as anfetaminas, por exemplo, causam euforia e agitação (excitam o sistema nervoso central). Por outro lado, os benzodiazepínicos e o álcool são substâncias que provocam sonolência e relaxamento (deprimem o sistema nervoso central), mas podem causar euforia dependendo do ambiente (ex.: festa). No entanto, cada indivíduo pode reagir de maneira e intensidade diferentes, dependendo de como o corpo dele absorve e metaboliza a substância, e também de questões genéticas que podem influenciar na maneira como o cérebro reage à droga. Isso explica, por exemplo, porque algumas pessoas desenvolvem surtos psicóticos com o uso de maconha e outras não.
Qual a diferença entre uso e dependência?
Antes de tudo, é importante ressaltar que não existe uso de drogas que seja isento de risco. Existem vários tipos de transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas. O uso em binge é aquele em que a pessoa usa alguma substância em grande quantidade, trazendo um risco agudo à saúde física e mental (ex: exposição moral, overdose, acidentes de carro etc). Segundo os critérios do DSM IV (Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais) o abuso de substâncias é caracterizado por um padrão mal- adaptativo e recorrente do uso da substância, levando a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo, atrapalhando as atividades diárias e gerando perigo físico e problemas sociais. A dependência se configura quando ocorre a presença de um agrupamento de sintomas cognitivos, comportamentais e fisiológicos indicando que o indivíduo continua utilizando uma substância, apesar de problemas significativos relacionados a ela. Ele passa parte importante do tempo dedicado ao uso ou a busca da substância, precisa de quantidades cada vez maiores da droga para sentir o mesmo efeito, pode apresentar sintomas da falta da droga quando não consegue consumi-la e tende a consumir a substância por tempo maior e quantidades maiores do que o inicialmente planejado, tendo dificuldades em cessar o uso, mesmo consciente dos prejuízos que isso vem acarretando na sua vida.
Existe uma idade mais vulnerável para o uso ou dependência química?
Crianças e adolescentes são mais vulneráveis ao uso ou dependência de drogas, pois seu cérebro é ainda imaturo. Assim, a capacidade de avaliar riscos é prejudicada, predomina o imediatismo e a busca por identidade propicia a experimentação por situações novas. Se o acesso a drogas for fácil e o ambiente propício, maiores as chances de abuso e dependência.
Quais os sinais de dependência?
Existem sintomas que caracterizam a dependência, mas nem todos precisam estar presentes para que se considere a pessoa dependente. Um deles é o uso da substância em quantidades progressivamente maiores para se obter o efeito desejado, pois este efeito se reduz com o uso continuado da substância. A droga passa a ser usada para reduzir sintomas de abstinência ou evitá- los. Existe um desejo persistente e dificuldade de controlar o uso da substância, mesmo quando o indivíduo está consciente dos prejuízos causados pela droga e ela é consumida em quantidades maiores do que a pretendida. A pessoa gasta muito do seu tempo para obter, consumir a droga e se recuperar dos seus efeitos em detrimento de importantes atividades sociais.
Quais os sintomas da abstinência?
Os sintomas de abstinência podem variar conforme a droga utilizada e em intensidade conforme a gravidade e o tempo de dependência. Na abstinência alcoólica, os sintomas variam desde leve ansiedade e tremores a sudorese e tremores intensos, taquicardia, oscilações de pressão, confusão mental e convulsões. Na abstinência de estimulantes (nicotina, cocaína e anfetaminas) e maconha os sintomas são semelhantes como ansiedade, depressão, alterações do sono, dificuldade de concentração, fraqueza, forte desejo pelo uso da substância.
Recaída
A “recaída” significa a retomada do uso de drogas em um padrão igual ou mais intenso que o anterior ao tratamento. Os indivíduos usuários estão sob o risco crônico da recaída, que tem como um dos fatores precipitantes mais importantes a fissura pela droga, desencadeada por questões ambientais e internas
O que é overdose? Como ocorre?
Overdose é o consumo de uma dose excessiva de droga, com graves consequências físicas e psíquicas, podendo levar à morte por parada cardíaca e/ou respiratória. As drogas, quando ingeridas, são metabolizadas (transformadas) em substâncias mais facilmente eliminadas pelo organismo. No entanto, quando ocorre o uso de substâncias em grande quantidade, o fígado não consegue metabolizar de forma suficiente esses compostos, o que provoca toxicidade no corpo.
Quais as principais drogas da atualidade?
Considerando-se o número de pessoas na população que apresenta problemas com o uso de drogas (dependência), as substâncias mais usadas são as drogas lícitas (cuja produção e consumo são permitidos) - álcool e tabaco. A droga ilícita mais consumida pela população brasileira é a maconha. Entre os adolescentes, é mais frequente o uso de solventes e maconha.
Ainda, o uso recreacional de metanfetaminas, como o ecstasy, também vem crescendo entre os jovens, que consomem essas substâncias principalmente em festas. Apesar de aparecer nos levantamentos realizados no país como uma droga consumida por uma pequena parcela da população, pensando-se em problema de saúde pública, o crack tem crescido em importância, em especial pelo grande sofrimento individual e familiar decorrente de seu uso.
O que são anfetaminas, merla, álcool, pitico, cocaína, maconha, crack, oxi, solventes e inalantes?
São drogas psicoativas com potencial de abuso, ou seja, substâncias que agem no cérebro, interferindo em seu funcionamento, e que podem levar ao uso abusivo e à dependência. Por atuarem no cérebro, possuem a capacidade de alterar o humor, a cognição e o comportamento de um indivíduo.

1.Grupo das drogas estimulantes
Cocaína e anfetaminas: A cocaína pode ser usada por via intranasal, endovenosa ou fumada (crack). Crack é uma das formas de cocaína misturada a diversos solventes na forma de pedras, altamente aditiva e de efeito muito potente. Pitico é a pedra de crack que é fumada misturada à maconha. A merla é feita com o que sobra do refino da cocaína (pasta de cocaína), misturada com solventes tóxicos, e que também pode ser fumada. O oxi também é derivado da cocaína em forma de pedra, e é feito com solventes altamente tóxicos para o organismo (gasolina, querosene e cal virgem). A principal diferença em relação ao crack é o preço, sendo o oxi mais barato. Os efeitos da cocaína e das anfetaminas no organismo são: taquicardia (aceleração dos batimentos do coração), aumento da temperatura do corpo e da frequência respiratória, sudorese intensa, tremores leves das mãos, contração involuntária dos músculos, diminuição do apetite e aumento das pupilas. Os efeitos psíquicos mais comuns são: humor eufórico ou irritado, hipervigilância, ansiedade, medo, tensão, comprometimento da capacidade de julgamento, comportamentos

repetidos e agitação psicomotora. Pode haver também ideias autorreferentes e de conteúdo persecutório (paranoia), alucinações, crises de pânico e agressividade. O uso de altas doses de cocaína (overdose) pode levar a eventos potencialmente fatais, como crise convulsiva, confusão mental intensa, depressão respiratória, acidente vascular cerebral, alterações cardíacas (dor no peito, mudança no ritmo do coração e infarto). Tais efeitos têm curta duração (de 30 a 60 minutos), acarretando a administração repetida da droga. Cocaína e anfetamina podem levar a um padrão de uso nocivo e à dependência.

2.Grupo das drogas depressoras
Álcool: A gravidade dos sintomas da intoxicação mantém relação direta com a alcoolemia (concentração de álcool no sangue). Em pequenas quantidades, provoca sensação de bem-estar, expansividade, relaxamento e desinibição comportamental, além de comprometimento da coordenação motora. A progressão do consumo de álcool causa comprometimento da atenção e da capacidade de julgamento, humor eufórico, irritado ou deprimido e labilidade afetiva. Os achados característicos incluem hálito alcoólico, fala arrastada, olhos vermelhos, desequilíbrio e outras alterações da coordenação motora. Com doses ainda mais altas, ocorre lentificação psicomotora, sonolência e diminuição progressiva do estado de alerta, inclusive com possibilidade de coma. Pode levar à morte, por depressão respiratória (parar de respirar) ou aspiração de conteúdo gástrico (vômito entra nos pulmões), em intoxicações muito severas. Pode haver intensa perda da memória ("branco") do que a pessoa fez durante a intoxicação. O uso crônico de álcool pode evoluir para um beber problemático e para o desenvolvimento da dependência alcoólica. Quando a dependência ocorre, muitas vezes a diminuição do consumo ou mesmo uma tentativa de parar de beber frequentemente leva à síndrome de abstinência que, quando muito grave, pode evoluir para um quadro de delirum tremens, convulsões e morte.

Solventes (inalantes): Os solventes são substâncias químicas voláteis aditivas em sua formulação (como tolueno, benzeno, tricloetano, acetona e hidrocarbonetos halogenados). Incluem colas de sapateiro, propulsores de aerossóis, tintas, vernizes, esmaltes e removedores - em geral, drogas de fácil acesso. Os efeitos dos inalantes têm início após alguns minutos e costumam ser intensos e breves, incluindo olhos vermelhos, visão dupla, sensibilidade à luz, zumbido, irritação das mucosas (boca, olhos e nariz), fala arrastada, vertigem e dificuldade para caminhar. Os efeitos psíquicos são euforia, excitação, risos imotivados e desinibição (todos passageiros, pois os solventes são substâncias depressoras do SNC), sensação de flutuar e alterações da percepção visual. Em doses mais elevadas, pode haver ansiedade, medo, alucinações visuais e auditivas e distorções na imagem corporal. Levam à dependência e o uso crônico

produz prejuízos neurológicos e psicológicos graves (distúrbios de movimento, perda de memória ansiedade e depressão), assim como doenças do fígado (hepatite) e do pulmão (bronquite, enfisema).

3.Grupo das drogas desorganizadoras
Maconha: A maconha é a droga ilícita mais usada no mundo. É extraída de uma planta chamada cannabis sativa e o principal composto psicoativo é o delta-9-tetra-hidrocanabiol (THC), cujo mecanismo de ação ainda não é totalmente conhecido. A droga conhecida como haxixe possui concentração de THC cerca de 10 vezes superior à da maconha e ambas as substâncias são fumadas, podendo também ser ingeridas. Os efeitos da maconha iniciam-se logo após ser fumada e duram de 2 a 5 horas. Certo prejuízo das habilidades motoras pode permanecer por até 12 horas. Os efeitos psíquicos são variáveis, por vezes dependentes da expectativa do usuário, e incluem leve euforia, relaxamento, diminuição da ansiedade, alterações da percepção do tempo e espaço, aumento da percepção das cores, sons, textura e paladar, além de aumento do apetite. Também ocorrem olhos vermelhos, aumento das pupilas, leve taquicardia, boca seca, tremores de mãos, alteração da coordenação motora, da atenção e da memória e diminuição da força muscular. Pode haver ansiedade, reações agudas tipo pânico, experiências de despersonalização e desrealização, além de ideias autorreferentes e alucinações. A maconha pode levar ao desenvolvimento de dependência e alguns usuários também apresentam quadro de abstinência quando da diminuição ou interrupção do uso.
Como essas substâncias são consumidas?
As drogas de abuso podem ser administradas por diversas vias, sendo mais frequente o uso oral, endovenoso, inalatório e por aspiração. Algumas substâncias podem ser utilizadas por mais de uma via: a cocaína, por exemplo, pode ser aspirada (“cheirada”), aplicada via endovenosa, suas folhas podem ser mascadas e, na forma de crack, pode ser inalada (fumada). A via de administração irá influenciar a velocidade com que os efeitos da droga começam a ser percebidos pelo usuário.
Quais são as conseqüências físicas, neurológicas e psicológicas do uso de drogas?
As consequências do uso de drogas de abuso estão associadas ao tipo de substância utilizada, aos seus efeitos pelo uso agudo (intoxicação) ou crônico (dependência ou abstinência). Em relação aos efeitos no organismo, as drogas podem ser dividas em estimulantes (aumentam a atividade cerebral), depressoras (reduzem essa atividade) e as alucinógenas (desorganizadoras ou perturbadoras do Sistema Nervoso Central). No grupo das drogas depressoras estão o álcool, os benzodiazepínicos (medicações para ansiedade), barbitúricos (medicações para dormir), opióides (medicações para dor) e solventes. As drogas desorganizadoras ou alucinógenas são a cannabis ou maconha, LSD, fungos alucinógenos e anticolinérgicos.
Como o uso de drogas afeta as relações sociais?
Muitas vezes as pessoas consomem drogas de abuso por desejarem melhorar sua interação social ou identificar-se com determinado grupo. Entretanto, à medida que o uso se intensifica, o que ocorre na maioria das situações é o isolamento social e a piora no desempenho acadêmico ou profissional. Também há prejuízo nas relações familiares e afetivas. E, muitas vezes, dependendo da substância, verifica-se comportamento antissocial (roubos) ou agressivo (violência doméstica e homicídio) e ocorrência de acidentes.
Quais são os impactos, no comportamento familiar e social, do uso de drogas?
O uso de drogas pode ter um impacto prejudicial na comunicação dentro do sistema familiar e social no qual o indivíduo está inserido, o que gera atritos e inabilidade na resolução de problemas. Isto acontece, especialmente, quando existe pouca informação de que a dependência química é uma doença, fazendo com que o consumo de drogas seja considerado apenas como um problema de conduta e a confiança e a credibilidade em relação ao familiar dependente seja reduzida. Assim como o usuário de drogas influencia o funcionamento da família e da sociedade, o ambiente no qual está inserido também pode ter um impacto positivo (fator de proteção) ou negativo (fator de risco) na sua vida.
Qual é a relação entre o uso de drogas e a atividade sexual?
O uso de drogas frequentemente está associado a ideia de aumento da excitação e facilitação da atividade sexual. Por mais que isto nem sempre se processe assim (em altas quantidades, mesmo o álcool que é tido como "facilitador" da obtenção de sexo e prazer pode prejudicar o desejo, e o uso crônico, causar impotência), a maior preocupação em relação à sexualidade do usuário de drogas é em relação ao comportamento sexual de risco. Pelo aumento do desejo, diminuição das inibições e a exacerbação da impulsividade, o usuário de drogas está mais propenso a ter múltiplos parceiros e a não usar preservativos. Por estes motivos, a prevalência de doenças sexualmente transmissíveis, incluindo o HIV, é elevada.
Para as mulheres, o uso de drogas interfere na gestação e na amamentação?
O uso de álcool, tabaco e outras drogas na gestação prejudica diretamente o bebê, e nenhuma delas pode ser usada na gestação com segurança, em qualquer quantidade. O uso de álcool está associado ao desenvolvimento de um quadro de retardo do crescimento físico, mental e deformidades físicas. O tabaco causa uma série de complicações obstétricas e perinatais, como parto prematuro, retardo do crescimento fetal e abortamento espontâneo, além de estar associado ao desenvolvimento de transtornos mentais no futuro, como o Trantstorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. Drogas como a maconha, a cocaína e o crack também têm sido associadas a problemas no desenvolvimento da inteligência ao longo do tempo; a cocaína também pode causar problemas obstétricos diversos. Álcool, tabaco, cocaína/crack e maconha são drogas transmitidas no leite materno e afetam diretamente o bebê. A abstinência destas substâncias deve ser estimulada para as mães que amamentam. Não há evidência de que quaisquer tipos de bebidas alcoólicas (como cerveja preta) estimulem a produção de leite. Pelo contrario, podem inclusive reduzir a quantidade de leite.
Que riscos correm as crianças e adolescentes filhos de dependentes de drogas?
Os filhos(as) de pais dependentes correm diversos riscos. O mais evidente deles é o risco aumentado, em relação a adolescentes não-filhos de usuários, de também fazer uso nocivo de álcool e outras drogas. Além disso, os estudos sugerem também uma alta prevalência de problemas psiquiátricos, de conduta, de aprendizagem, de relacionamento e legais nesta população. Os mecanismos envolvidos no surgimento destes problemas abrangem aspectos relacionais com o genitor dependente químico, problemas ambientais secundários (conflito conjugal, violência, negligência, abuso físico e sexual, facilidade de acesso a drogas, etc), além de fatores genéticos.
Como encontrar ajuda
Os usuários de drogas e seus familiares podem encontrar ajuda em Centros de Atenção Psicossocial - CAPS (informe-se onde fica o CAPS de sua região no posto de saúde mais próximo ou na Secretaria de Saúde de sua cidade); nos postos de pronto-atendimento (em Porto Alegre, no Posto da Cruzeiro do Sul e no Posto do IAPI); em grupos de autoajuda, como Narcóticos Anônimos (www.na.org.br) e Alcoólicos Anônimos (www.alcoolicosanonimos.org.br); em grupos para familiares, como Amor Exigente (www.amorexigente.org.br) e Nar-Anon (www.naranon.org.br); também existe o Viva-voz (fone 0800 510 0015). fatores genéticos.
Tipos de tratamento para a dependência química
Os usuários de drogas podem receber tratamento em diferentes níveis. Podem ser atendidos em Centros de Atenção Psicossocial e em ambulatórios especializados em dependência química; em internação psiquiátrica nos hospitais gerais; em Comunidades Terapêuticas; em grupos de apoio. Independentemente da intensidade da assistência, o tratamento oferecido aos dependentes de drogas é multidisciplinar, ou seja, reúne profissionais de diversas especialidades, todos atuando em conjunto, agindo dentro de suas especificidades (psiquiatras, psicólogos, enfermeiros, assistentes sociais, educadores físicos, terapeutas ocupacionais). Ainda, os pacientes são tratados, em geral, com uma combinação de farmacoterapia e psicoterapia individual (Terapia Cognitivo-Comportamental).
Internação voluntária
A internação voluntária é aquela que ocorre com o consentimento do usuário, após avaliação médica. O término dessa internação ocorre por solicitação escrita do paciente ou por determinação do médico assistente.
Internação involuntária
A internação involuntária é aquela que ocorre sem o consentimento do usuário, a pedido de terceiro, após avaliação médica. O término dessa internação ocorre por solicitação escrita do familiar (ou responsável legal) ou por determinação do médico especialista responsável pelo tratamento.
Política de redução de danos
A redução de danos é uma das modalidades de tratamento usadas principalmente para prevenir complicações maiores relacionadas ao uso de drogas naqueles usuários que não desejam a abstinência total. Foi desenvolvida na Inglaterra, em 1920, para abordar usuários de heroína e foi sendo modificada ao longo dos anos. Alguns dos exemplos de estratégias são: distribuição de seringas para usuários de drogas injetáveis; distribuição de preservativos; distribuição de cachimbos a usuários de crack, a fim de reduzir a disseminação de doenças infecciosas. Pode ser uma oportunidade de aproximação entre serviços de saúde e usuários, oferecendo informações e incentivando o cuidado à saúde e a busca por tratamento, o quê, em conjunto com outras técnicas, pode motivar a pessoa a procurar ajuda para se abster. Para que a implementação de uma política de redução de danos seja efetiva, ela deve ser composta de estratégias com evidências científicas que comprovem sua eficácia e seus resultados devem ser avaliados posteriormente na população. Ela não deve ser a única medida assistencial ao usuário de drogas e deve ser diferenciada conforme o tipo de droga utilizada. Também são indispensáveis o treinamento e a supervisão contínuos das equipes de acesso ao usuário.
Fonte Equipe Médica - Unidade de Psiquiatria de Adição do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, RS

As drogas e a lei
Consumir drogas é crime?
A lei prevê como crime condutas anteriores ao consumo, como: adquirir; guardar; ter em depósito; transportar; trazer consigo para consumo pessoal alguma droga. O ato específico de consumir não está previsto, mas é muito difícil consumir sem, no mínimo, portar a droga.
É crime incentivar e/ou oferecer drogas a outra pessoa?
Sim. Aquele que oferece droga para outro, mesmo que gratuitamente, pratica crime de tráfico de drogas. O incentivo à prática de qualquer crime é considerado crime também.
É crime incentivar e/ou oferecer drogas a crianças e adolescentes?
Sim. É o mesmo crime referido acima. A lei não faz essa diferença. O juiz, na aplicação da pena, pode aumentá-la, por ser mais grave.
Qual a diferença entre tráfico e consumo?
O consumo é o ato de usar a droga. As condutas criminais estão previstas no artigo 28 da Lei de Drogas. O tráfico é a conduta mais grave. É aquele que vende, importa, remete, prepara, fabrica, expõe a venda, transporta, tem em depósito, semeia, cultiva, faz a colheita de drogas. Está previsto no artigo 33 da Lei de Drogas.
Quais as penas para quem usa drogas?
O usuário não será preso. As penas são alternativas a prisão: advertência, prestação de serviços à comunidade e medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
Quais as penas para o traficante?
A pena do tráfico é de 5 a 15 anos de prisão e mais uma multa entre 500 e 1500 dias-multa. Varia conforme a quantidade de drogas que porta. O juiz fixa a pena entre o mínimo e o máximo previsto em lei e a quantidade da droga é levada em consideração para a fixação da pena.
O Poder Público tem obrigação de oferecer tratamento ao dependente químico?
Sim. O dependente químico é doente e o direito à saúde é obrigatório, gratuito e universal.
Que órgãos a família ou o usuário deve acessar, caso o Poder Público não forneça atendimento?
Deve procurar inicialmente os serviços de saúde e de assistência social de sua cidade. Depois, o Ministério Público, qualquer advogado e a Defensoria Pública.
O que é e o que prevê o projeto para descriminalizar o uso de drogas?
Hoje, há um projeto para alterar a lei de drogas e outro para alterar o código penal. Em ambos, está a proposta de descriminalizar o uso de drogas. A ideia é não tratar o usuário de drogas como criminoso, mas sim como paciente de saúde. Se ele fosse pego pela polícia com drogas, não seria levado à Delegacia de Polícia, mas sim ao sistema de saúde. A ideia é bem discutível, mas tem recebido apoio.
Fonte Ministério Público / RS
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