Desaprincesamento: debate sobre liberdade e quebra de padrões marca evento no mês da mulher

Publicado em: 24-março-2017

Princesas ou guerreiras. Professoras ou astronautas. Solteiras ou casadas. Donas de casa ou dedicadas à carreira profissional. O debate sobre a liberdade e o direitos das mulheres decidirem o rumo de suas histórias, sem padrões ou estereótipos, foi o tema do painel Desaprincesamento, promovido pela AJURIS na noite de quinta-feira (23/3), integrando a programação do Mês da Mulher.

Durante quase duas horas, a psiquiatra Nina Furtado e a professora do Departamento de Astronomia da UFRGS Daniela Pavani, conduziram o painel que possibilitou a reflexão sobre o tema e a troca de experiências e vivências entre as pessoas que participaram do evento. A magistrada aposentada, que também tem formação em psicologia, Leila Torelly Fraga fez a mediação da atividade.

Idealizadora do programa o Lugar de Mulher, da UFRGS TV, e do projeto Meninas na Ciência, que incentiva carreiras científicas, a mestre em Física Daniela Pavani apontou que os estereótipos de gênero são determinantes nas escolhas profissionais.

Entre os exemplos apresentados estava um estudo inglês no qual, a partir de testes, foi identificado que entre cinco e sete anos as meninas passam a se considerar incapazes para determinados jogos e se identificaram como “não muito inteligentes”. “Se fala de liberdade e de democracia, mas em tão tenra idade já se tem definido o que não devemos ser”, ressaltou, afirmando a necessidade de criar modelos e mostrar espaços que as meninas podem e devem ocupar.

Para Daniela existe sim preconceito de gênero, tanto que no universo acadêmico das áreas de exatas a presença de mulheres reduz de 30% na graduação, para somente 5% no topo da carreira. “Quando fomos analisar, isso acontecia porque as mulheres precisavam produzir o dobro do conteúdo acadêmico para alcançar o mesmo nível hierárquico dos homens”, alerta.

Esse tipo de situação, na visão de Nina Furtado, está muito atrelado às histórias retratadas nos contos de fadas. “A princesa tem que ser bonita e é sempre salva por um homem”, aponta, relembrando que nessas histórias, após o “salvamento” a mulher passa a viver em um castelo, onde não precisa trabalhar. “Toda essa cultura sutil vai sendo incutida nas mulheres”, aponta.

Na visão da psiquiatra, para colaborar com a pressão externa da sociedade, que reserva determinadas posições às mulheres, existe também a carga emocional interna: “Misturada com a questão de gênero tem o medo da solidão”, afirma, salientando que com frequência esses elementos pressionam as mulheres para manter uma relação infeliz e, muitas vezes, abusiva.

“É muito importante que a gente pense e reflita”, provocou Nina, citando que, diversas vezes, as mulheres também reproduzem essa lógica e acabam exigindo uma das outras a postura, o jeito e estilo da princesa, como no caso da chanceler alemã Angela Merkel, que é uma das pessoas mais poderosas do mundo e é cobrada por ser muito masculinizada.

Os avanços em relação à liberdade das mulheres e um ambiente livre de preconceito, no entanto, ainda precisam de um longo caminho. “Mudança cultural é complexa, lenta e gradual. Essa conversa é um passinho que a gente vai dar”, sinaliza Nina Furtado. Aspecto reforçado por Daniela Pavani: “Isso passa por mudanças na família e na escola, mas também pela pressão social. É necessário refletir e quebrar o senso comum”.

E foi com esse sentido que, com incentivo das painelistas, a palestra se tornou um bate-papo, com relatos de histórias e vivência, que, conforme uma das participantes citou, formou uma colcha de retalhos para a reflexão e a atuação contra a imposição de estereótipos para as mulheres. Afinal, como retrata o tema do mês da mulher na AJURIS, lugar de mulher é onde ela quiser e sendo o que ela quiser.
Empoderamento Feminino

Na próxima quinta-feira (30/3), às 18h30, acontece o painel Empoderamento Feminino, último evento da série de atividades promovida pela AJURIS ao longo de todo o mês de março. A palestra terá como convidadas a desembargadora e primeira presidente do Tribunal Regional Eleitoral do RS (TRE/RS), Elaine Harzheim Macedo; a juíza titular do 1º Juizado de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher da Comarca de Porto Alegre, Madgéli Frantz Machado, e a professora de Psicologia da UFRGS e PhD em Psicologia Social e Institucional, Raquel Silveira. A vice-presidente Administrativa da AJURIS, Vera Lúcia Deboni, mediará o debate, que acontece no Auditório da Escola da AJURIS (Celeste Gobbato, 229), em Porto Alegre.

Ao final, haverá o encerramento do evento Lugar de Mulher é onde ela quiser com a banda Expresso Livre.

A atividade é aberta ao público. A organização sugere como ingresso a doação de produtos de higiene pessoal (absorventes, sabonetes, creme dental, papel higiênico) em prol de presas do Sistema Penitenciário Feminino. Para garantir lugar, as inscrições devem ser feitas AQUI.

Mais informações: https://lugardemulhereondeelaquiserblog.wordpress.com/blog/

 

 

Texto e fotos: Joice Proença

Departamento de Comunicação
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